quarta-feira, 27 de novembro de 2013

deuses mortais (idosos)

se não fosse o vento que passa
sorrateiro por debaixo da porta
se não fosse o tempo que passa
devagar, por entre as rugas
por entre os dedos e os lábios
se não fosse o golpe fatal e rápido
que a vida dá ao longo do tempo
se não fossem nossas angústias
escondidas com a maquiagem do sereno da chuva
se não fosse tudo isso as coisas ficariam
mas nunca que seria a mesma coisa
porque não se pode querer um dia quente e um dia frio
numa mesma hora e numa mesma pessoa
se não fosse tudo isso as coisas não teriam fim
e o vento seria o mesmo que passa e volta
mas qual a graça que teria viver assim
sem a emoção do novo vento que surge com forças novas
Idolatremos então a sabedoria dos idosos
Porque a eternidade não foi feita para nós
Seria tudo muito complicado; a vida já nos dá tempo
Para pensar no que gera frutos e nunca nos sentirmos sós.
se fôssemos nós dentro dos carros que dirigimos
dentro do avião que viajamos, dentro do trem que corta o dia
dentro do disco voador visto por poucos
mas não somos nós, são projeções da nossa alegria
e encarar tudo isso é uma prova de equilíbrio
porque você envelhece e as coisas mudam por isso
ou será que se envelhece por que as coisas mudam?

a resposta será sempre indefinida.
nossa dor, com o passar do tempo, não adormece
e a evolução da dor em um idoso deveria ser a libido
mas isso não acontece, porque se não fosse o golpe fatal
estaríamos vivos e tristes, inteligentes e esquecidos.

Rívison  03/11/2013

Nenhum comentário: