sexta-feira, 27 de julho de 2012

Números


Nós somos feitos de números
Segundos, minutos e horas. Dias, meses e anos
E ainda que nada vá embora
Tudo acaba perdendo o encanto.
Deus não tem pena dos sem-alma
mas não pode fazer nada contra eles
nem a favor
não se pode controlar a sede daqueles que sabem controlar o amor.
Um homem sonhou em conquistar o mundo
Parou em cima da montanha, respirou fundo
Sentiu o vento passar entre os dedos, mas não gritou
Conquistou tudo e ficou mudo.
Maria, ah, Maria, se você não tivesse nome
Eu, facilmente, te chamaria de alegria
Porque é capaz de descer um anjo quando você ri
E iluminar a mim e a todos que sentem alguma fome.
Queria entender a matemática dos astros
Queria seguir o caminho que conduz à melhor ética
Mas os anos acabam nos deixando chatos
E uma população hippie acaba virando uma população cética.
Segundos para ter paciência
Minutos para ter compaixão
Horas para possuir inteligência
Dias para acordar cedo no inverno.
Meses para uma gestação
Anos para amar do modo certo
Séculos para curar um coração.
E assim continuamos nossa caminhada nesse deserto
Chamado vida, que tanto nos impulsiona para todos os lados
O que tem de mal viver dez anos a mil?
É melhor do que viver mil anos a dez e terminar como um velho cansado.
E o que é a velhice, senão números nas costas?
O que é ficar velho, senão perder o brilho nos olhos?
Então eu vos digo, amigos, a velhice é para os fracos
Os fortes não envelhecem, apenas ganham maturidade.
E nós continuamos feitos de números
De dias, meses, horas e anos
Se você quiser, nada vai embora
E, com sabedoria, tudo mantém o encanto.
O alicerce da paz é a vontade de ser feliz
Feliz como Maria, que ri para os anjos
Feliz como quem conquista tudo e emudece
Feliz como quem vê como um presente as passagens dos anos.

Rívison - 2012

Um comentário:

Anônimo disse...

QUE LINDO, AMOR.... =)