quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Preposição




Saudamos a todos no raiar de um novo dia
Com sorrisos falsos e uma agonia escondida
Celebramos nossa ignorância cristalizada em costumes
Que costumamos chamar de sabedoria
Tal sabedoria joga petróleo no mar
Declara criminoso quem morre de fome
Nos torna cada vez mais estressados e insones
Não conjuga de forma correta o verbo amar.
Mas a tensão é maior quando chega o meio-dia
E o calor esquenta os paletós abafados
Os homens engravatados que servem ao Estado
Que não servem à população, e sim à economia.
Saudamos a todos com um "boa tarde" falso
Que beira ao cinismo, pois é difícil achar algo bom
 Essa sociedade já canta as regras fora do tom
Essa sociedade se atropela com os passos apressados.
Forte é aquele que quer mudar a realidade
Covarde é aquele que quer mudar de realidade
Eis toda a diferença que uma preposição faz.
Saudamos o vizinho com um "boa noite" sorridente
Apesar de preguiçoso, pois já aparentamos o cansaço
Nos preparamos para o sono até o cantar do galo
Mas já dormimos há muito tempo, somos todos uns dementes;
Demenciando nossa alegria fingida e nossas falsas conquistas
Onde um salário mínimo vale mais do que a saúde
Quem distribui o dinheiro não faz nenhum ajuste
Quem recebe o dinheiro aceita-o com cara de parasita.
Mas parasitas mesmo são os que sugam nossos esforços
Os que não dão educação, mas dão televisão e pornografia,
Os que nos alegram com baixarias,  é o circo e o pão
E não enxergam a lágrima que cai dos nossos olhos.
Forte é aquele que quer mudar a realidade
Covarde é aquele que quer mudar de realidade
Essa é toda diferença que uma preposição faz.
Devemos nos unir, para, um dia
Nossa ignorância não ser nosso próprio capataz.



Rívison - 2011

domingo, 18 de setembro de 2011

A Idade da Inocência





Se apoie sempre no meu ombro e me conte seus segredos mais secretos
Olhe pra mim com sarcasmo e me cure desses delírios
Chame algum palavrão e me diga o que há de novo ou velho
Uma amizade deve servir para nós conservarmos nosso brilho
Um brilho adolescente, apesar da idade adulta
Um brilho incandescente que sempre nos serviu
Uma amizade, até distante, nos ajuda
Pois nos olhos do amigo encontramos uma força gentil
Que nos acolhe nos momentos mais ásperos
Que ri nos momentos mais ridículos
Que faz de um apartamento um lugar eterno
Que faz de um desconhecido, o nosso grande ídolo
Se apoie no meu ombro e me conte sobre seus namorados
Isso tudo em um ônibus a caminho de casa
Tal casa que já não consta mais a nossa presença
Somos nômades de lugares, mas não de sentimentos
Corra pelos corredores daquela universidade
Mas não corra fisicamente, e sim em pensamento
Corra por eles até os seus 100 anos
Lembre da idade da inocência e dos descobrimentos
Lembre das conversas exageradas e sem preocupações
Lembre-se dos tempos que pensávamos ficar ricos
Mais riqueza existe em nossos corações
Que nos dão verdadeiras recompensas apenas em troca de sorrisos
Eu levo você em um cofre bem forte
Que está fora do domínio do capitalismo
Que também não é socialista, mas é uma flor dentro de mim
Eu levo você e por isso não preciso da sorte.
Eu levo você por uma estrada sem fim.



Obs.: Para a minha amiga Larissa Lins, que desde o século 19 me pede um texto.




Rívison - 2011