segunda-feira, 20 de junho de 2011

Vampiro

Eu ousei viver no escuro
Há tempos não sei o que é o dia
Eu virei um ser noturno
Que liga a TV e demonstra apatia
Todos dormem, enquanto eu janto
A geladeira é melhor de madrugada
Abro a janela e culpo as estrelas
Elas me seduziram e hoje eu sou um nada
A lua parece sorrir, quando cheia
E os cães uivam nessa noite estrelada
A rua vazia é a passarela do vento
Que desfila ventanias e suja de folhas a calçada
Ninguém passa nessa rua
Só o vigia que também não dorme
Mas eu sinto que ele passa com medo
Com a moto acelerada, jogando contra a própria sorte
O meu quarto, à noite, vira um caixão
Onde o ar esfria e a noite entra calada
E me oferece companhia, toca a música da solidão
Mas meus ouvidos lutam contra essa serenata
O silêncio me ensurdece, a noite vence
Mas não estou sonolento e permaneço intacto
Talvez, tudo que eu precise seja um banho quente
Tento me lembrar onde e quando fiz esse pacto
Que me transformou em um ser demente
Cheio de ódio e rancor congelados
Mas meu amor também se faz presente
Até quando meus caninos crescem e em sangue me desfaço
Não posso voar e o alho não me machuca
A estaca não me mata e a cruz não me assusta
A realidade é diferente, porém sou imortal
A vida eterna, na verdade, é uma eterna luta
Sou sarcástico, ambicioso e malvado
Mas também sou bondoso, e algumas até me acham sexy
Sou a contradição em pessoa, sou o DNA alterado
Mordo você tão rápido que você nem percebe
São quatro e quarenta e cinco da manhã, e o sol vem surgindo
Abro a porta da varanda na esperança de não me sentir só
A nossa estrela mais próxima faz raios belíssimos
A praia fria denuncia um amanhecer em Maceió
Recolho meus pertences, a noite sai do meu quarto
Recobro a consciência, meus olhos já estão fechando
O sono me convida enquanto o dia começa agitado
Eu escapo dessa maldição quando caminho pelos sonhos.


2011 - Rívison

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