quinta-feira, 10 de março de 2011

Walter Benjamin




Hei, Walter Benjamin, você estava certo
Essa reprodutibilidade é um saco
Eu pareço me importar de frente à TV
Minha adrenalina sobe tão facilmente
Mas só são imagens que nem sabem quem eu sou
É apenas uma caixa morta e cheia de luz
Eu pareço me importar ouvindo algum CD
Minha mente viaja para tão longe
Mas aquela voz é tão eletrônica quanto minha solidão
Aquela voz é tão artificial quanto este coração.
Hei, Walter Benjamin, você estava certo
Essa reprodutibilidade é um saco!
Eu pareço me importar diante da grande rede
Que de grande só tem mesmo a fortuna publicitária
A internet chegou, mas ninguém mata essa sede
A cultura vive e morre e permanece estagnada
Eu pareço me importar diante dessa reprodução
Que de “tão sem útero” já tem cara de velha
A juventude desligou o botão do senso crítico
A reprodutibilidade resume até tristeza em festa.
Eu pareço me importar diante de uma fotografia
Um sorriso eternizado, e uma agonia latente
Aquela imagem não condiz mais com a atual alegria
Pois tem mais cara de passado do que de presente

[Eu preferia ser contemporâneo de Aristóteles
Sem tecnologia, mas com aura verdadeira.
Eu preferia mil vezes ser um guerreiro espartano
Do que morrer de tédio neste combate urbano].


Rívison       2011

Um comentário:

Ludmila disse...

logo que eu vi Walter Benjamin, levei um susto... Estética, Bispo... hahaha

muito boa!