segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Inconstante


Ela apontou aquela arma pra mim
E disse que não seria fácil eu me acostumar
Com seus improvisos, quase sempre insensatos
Aquele jeito doce que contém veneno
Ela falou dos pássaros
Que moravam bem perto do seu casebre
E me deu uma dica:
Aproveite a vida antes que se agrave essa febre
Ela me acariciou e contou a história
Do seu antigo amor
Disse que a falta de planejamento
Fez do casal um poço de esquecimento

E agora, querida? Quem intervirá?
Nós dois cruzando a pé a BR-101
Bêbados, ao som de um sabiá
Querendo atingir horizonte nenhum

Ela olhou com olhos de ódio pra mim e disse
"Como fui orbitar em torno de um planeta tão morto?"
Eu apenas peguei a garrafa vazia de vinho
E joguei para longe, atingindo o último raio de sol
Ela teve educação, mas quer vender o corpo
Com atitudes de mulher que não finge
Ela pede carinho
Enquanto o parceiro pede o troco.
Ela se ajoelhou perante mim e disse
Que não queria mais viver daquele jeito
Eu não sou seu salvador, querida
Eu também carrego mágoa e desamparo no peito.
Ela podia jurar que tinha uma doença sem cura
Ela queria desaparecer com vergonha dos homens
Ela falava que não existia verdade nua
Ela se despia e dizia: "mesmo assim, eu sou sua".


(Rívison - 2009)

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