quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Tão Breve











Como é grande
Como é temida
Como é oscilante
Tombos na avenida
Movimentada de carros
Como é brava
Como é covarde
Como são poucos
Os que se jogam nela de verdade
Como é inconstante
Como é sedutora
Como é sacrificante
Como é produtora
Como é adolescente
Como é idosa
Como é impaciente
Como é bondosa
Essa é a vida que nos serve
Batida no calor da vibração
Com mais violência do que amor
Aproveitar ao máximo e morrer com 27.
Como é constante
Como é pequena
Como é destoante
Como bicicletas de pessoas cansadas
Por pedalarem demais
Como é repugnante
Como é paciente
Como é maldosa
Nos deixando sempre para trás
Como é evolutiva
Como é Nietzsche e Marx
Como é Jesus e Joana D'Arc
Como é uma eterna ferida.
Essa é a vida aos 27
Batida no calor de um verão
Com menos potência do que amor
Aproveitar ao máximo esse momento que lhe serve.
Como é escritora
Como é analfabeta
Como é santa
Como é puta
Como é Marilyn Monroe
Como é Dostoiévski
Como é Madre Teresa
Como é uma luta (de um filme de Scorsese)
Como é breve
Como é profunda.
Como é pesada e leve
Como é confusa...


(Rívison)  2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Quem?

Quem foi que me deixou do seu lado?
Quem foi que me deixou fora dessa?
Quem apagou a luz do meu quarto?
Quem me deu um beijo na testa?
Ninguém descobriu nos meus lábios,
O maior tesouro da Terra,
Talvez isso se deva ao fato,
De que gostar de mim é gostar de uma guerra...

Por que tudo é motivo de festa?
Por que tudo é motivo de festa?
Por que tudo é...?

Quem foi que me deixou insensível?
Quem foi que me deixou insensato?
Quem foi que me deixou invisível?
Ninguém olha quando eu passo de lado...
Quem atrofiou o meu cérebro?
E transformou meus músculos em peças?
O ser humano ficou tão sério...
Deixando o mundo de lado, só ele mesmo o interessa;

Por que tudo é motivo de festa?
Por que tudo é motivo de festa?
Por que tudo é motivo de festa?
Por que tudo é...?

Quem foi que me deixou acordado?
Quem é a pessoa que tem tanta pressa,
Que grita na rua o assunto inacabado?
Quem se importa com tudo que resta?
Somos árvores sem folhas nem troncos
Apenas raízes com marcas de machado
Não crescemos, não é porque não queremos
Não crescemos porque o solo está estragado.


Rívison - 2007

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Atemporal 2



Vem correndo e sorrindo para mim
Porque é assim que eu lembro da sua energia
É assim que eu lembro do formato da sua boca
As lâmpadas do nosso palco iluminam boas pessoas.
Dá logo um abraço, e eu sempre fico com medo de me queimar
No calor dos seus braços
Na eterna canção de ninar
Que sai dos seus lábios.
Me queimo também no seu coração
Que é uma piscina em chamas
Eu provei minha coragem e saltei do trampolim
O fogo era ilusão, caí na água que fez tão bem a mim.
Dá logo um abraço, e aperta a minha mão
Estamos juntos nessa viagem pelo tempo
Eu vejo as rugas aparecerem em você
E você vê meus cabelos desaparecendo.
Olha para o sol enquanto me abraça
E tenha a consciência que esse chão um dia vai virar brasa
Tudo um dia vai ser o fogo ilusório concretizado
Mas o que vamos levar conosco é um oceano sereno e sem mágoas.



(Rívison)  -  2007

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Quarta Parte (4º parte da trilogia do pós-moderno)

Para fechar uma trilogia
Não são necessárias três partes
Porque, como já dizia Derrida
"Tudo depende de uma análise"
No mundo de palavras subjetivas
Um mamífero pode ser uma ave
A derrota pode ser invicta
E a trilogia pode ter quatro partes
As palavras são apenas símbolos
Imersos numa rede textual
São letras que não fazem escândalo
Quando algo parece ir muito mal
Por isso, leia as entrelinhas
Antes de ter uma idéia prévia
Pois os que passam despercebidos
Desobedecem a uma grande regra:
"Este mundo, que foi erguido
Com gritos e urros pré-históricos,
Hoje se move com inteligência
Pois separou o pensamento e o ócio
E para os analfabetos da semiótica
Deixo minha paciência queimando (como um fósforo)".


-Rívison-