terça-feira, 10 de agosto de 2010

O Disparo (1º parte da trilogia do pós-moderno)

Essa juventude, de tão velha,
Me dá cabelos brancos e agonia
A face no espelho se espelha
Em algo que um dia eu seria
O calafrio surge como um aviso
Um gesto é o bastante, mas eu paro
Diante de um mundo grande e avulso
Um revólver avesso ao instante do disparo.
A noite chega quente e escura
A solidão precede o dia claro
A timidez chega a ser uma tortura
Que faz dos desejos, meros escravos.
Alguém acende um isqueiro e fuma
A fumaça se espalha como um potente carro
E se dissipa como a vida de um jovem
A ampulheta da vida parece um cigarro.
Mas o dia é de praia, e não de tempestades
O sol ferve e os cabelos são molhados
O revólver disparou em direção a nossa idade
Mas a rebeldia faz a bala tomar sentido contrário.


[Rívison] - 2010

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