quarta-feira, 4 de agosto de 2010



















Enlatados

Olhamos pro céu na esperança
Que algo extraordinário desça e mude nossas rotinas
Especulamos o fim do mundo a cada dez anos
Na esperança de todos morrermos da maneira mais digna
Meu relógio parou; não era a hora dele parar
Logo nessa sala tão quente
A rua está deserta, mas as pessoas já saem de casa
E os pássaros torram no sol com uma canção em mente.

Olhamos pro passado na esperança
De descobrir algo extraordinário que mude nosso futuro
Planejamos o natal durante o ano inteiro
Na esperança do ano que vem ser diferente
Meu sapato desamarrou; não era a hora dele desamarrar
Logo à noite e nessa estrada tão longa
Rodeada por plantações de cana e montanhas
E as estrelas distantes fazem eu me sentir mais só.

Olhamos para estranhos na esperança
Que eles entrem na nossa vida e nos dêem um pouco de ânimo
Procuramos novas músicas na esperança
Daquele artista nos passar alguma emoção através do canto.
Meu avião está caindo; não era hora dele cair
Logo no meio do oceano, e eu não sei nadar
Talvez a explosão me mate antes, mas se eu sobreviver
Encharcado, vou ver o sol passear, até ele se pôr.

Olhamos pro futuro na esperança
De inventar uma máquina do tempo que mude nosso passado
Arrumamos vícios na esperança
Que aquilo nos dê prazer e o tempo passe mais rápido
Meu corpo está morrendo; não era hora dele morrer
Logo agora, que a vida fez sentido
A morte é por causas naturais, mas bate um arrependimento
De ter ido tão velho, e mesmo assim não ter vivido.


Rívison

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