segunda-feira, 21 de junho de 2010

A máscara de um mundo falido

Sim, a mente já foi lavada
As palavras de antes agora perecem
Num campo minado, cercado de hipócritas
Desviando a atenção só para seus interesses.
Sim, ela já bebe cerveja
É tão nova, e daí?
A mídia empurra, sacia a sede
E o álcool salva outra empresa da falência.
Sim, a opção sexual foi trocada
Ele era tão feliz com alguém tão amado
Agora veste o mesmo disfarce
Força um sorriso, tão dissimulado.
Sim, a mente já foi lavada
Está tudo em ordem, o rio está correndo
O rio está salvo, o rio podre
O rio chamado sociedade.
Sim, a ordem foi estabilizada
Jesus a cada dia é crucificado novamente
Como podem palavras tão lindas roubarem mentes
Para um capital sujo, que não se importa com a gente?
Sim, a mente já foi lavada
O pai durão mandou seu filho pra o exército
Seu filho morreu, honrou a pátria?
Não, honrou a bolsa de valores.
Circo de horrores, casa do espanto
Rostos sorridentes, mundo decadente
Sorrisos que não demonstram sentido.
Norte ou sul? Para onde vai aquele mendigo?
Quem se importa?
Circo de horrores, casa do espanto
Quem tem coragem de ter um filho?
Quem se encoraja a deixar algo aqui vivo?
Mas está tudo em ordem, o rio está correndo
Movido por sangue
O rio está salvo, o rio podre
O rio chamado consumismo.


[Rívison]

domingo, 6 de junho de 2010

Orjana (Gran Madre de la Tierra)

Debrucei-me na janela
Olhei para baixo, vi as formigas
Por eu ser tão grande para elas,
Elas nem me percebem.
Ela abriu sua janela celeste
Olhou para mim lá de cima
Por ela ser tão grande para mim
Eu nem a percebo.
É impressionante
como a ignorância
nos diminui,
É impressionante
como o orgulho
nos cega.
Debrucei-me na janela
Olhei de lado, vi garotos pedindo
A tv diz que eles são perigosos
Fechei a janela, como se nada tivesse acontecido.
Um deles olhou pra mim
No instante que eu não queria mais olhar
Um garoto tentou dar um sorriso
Mas não tinha ânimo para dar.
É impressionante
como a fome
nos deixa frios,
É impressionante
como a frieza
nos afasta.
Debrucei-me na janela
Olhei mais na frente,
Vi minha sombra
E constatei que eu era só aquilo.
Lembrei meu passado
Pensei no futuro,
Sou um quadro quebrado
Sou a incerteza do mundo.


[Rívison]     Outubro/2006