domingo, 4 de abril de 2010

Daqui a mil anos.

A esta altura, já crescemos
E nossas flores já brotaram
E nossa esperança já morreu
Junto com a vida nos campos

A esta altura, não sobrou o que fazer
A árvore cresceu o que tinha de crescer
A poluição já não faz mais a diferença
E a criança não transmite a esperança

A esta altura, já sumimos desse mapa
Não temos mais dinheiro e nem temos casa
Sorrisos só os dos esqueletos no chão
Sentimentos voam no vento seco sem coração

A esta altura, os escombros são dominantes
Os peixes só nadam em grandes profundidades
As aves não voam, mas não perderam as asas
Os insetos vivem em buracos embaixo da terra

A esta altura, não existe mais tecnologia
Nossas mentes brilhantes já viraram adubo
Adubo para nada, porque nada mais nasce
Nossa póstuma contribuição não serve pra nada

A esta altura, não há mais América
Nem Europa e nem Ásia e nem Oceania
Só a mãe África chorando chuva e fogo
De luto, porque perdeu todos os filhos

A esta altura, não há socialismo
Nem capitalismo e nem anarquismo
Não há mais terrorismo ou guerras
Os ideais repousam embaixo da terra

A esta altura, não há mais meus netos
Nem cartas dentro de garrafas no mar
Não há mais barcos nem aviões no ar
Carros enferrujados esperam pela partida

A esta altura, as religiões freiaram
E o messias não apareceu para o mundo
Os cachorros já não são domesticados
Há apenas o silêncio que o amor deixou.


Rívison Batista  -  2008

Um comentário:

Larissa disse...
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