domingo, 21 de fevereiro de 2010

Barulho das Ondas

Eu me identifico com seus olhos
Desde que o começo dos anos 90
Prometeu ser o raiar do sol da internet
E qualquer coisa que a gente inventa
Sempre resulta em algo inerte

Tudo bem, não faz tanto tempo que penso em você
Eu menti, mas não pequei, pois foi por uma boa causa
Eu tentei aproveitar uma tarde de domingo
Mas o mar estava bravo e a maresia estava forte
Os vizinhos ainda dormindo me deram a idéia de uma vida falsa

Lá vem a manhã de segunda, e esse inconformismo não sai de mim
O barco sempre afunda para quem não tem um destino a seguir...

Eu me identifico com seus olhos
Tudo bem, é uma grande verdade
Mas eu nem te ligo para dar bom dia ou boa tarde
Seria genial fazer isso enquanto estamos sóbrios
Pois a vida nos embebeda à medida que passam-se os anos

Se eu disser que não penso em você
Pelo menos vinte vezes por dia
Eu vou parecer um clichê de idiota
Nada sincero, super orgulhoso
E que apenas consegue atrair antipatia

Tudo bem, eu não sou um exemplo a ser seguido
Nunca, nem sequer, salvei algo ou a mim mesmo
Apenas aprecio o barulho das ondas
Sendo rasgado pelo sol penetrando o céu com cores
E fazendo o dia parecer um "faz de conta".


Rívison

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Quando a garota de Seattle conheceu o Brasil



Eu não sabia que Alice tinha sido acorrentada
Até ouvir um som no jardim
Pássaros cantando músicas estranhas com asas deformadas
Para acordar essa nação de zumbis
Ela correu e foi ser religiosa
Entrou no templo do cachorro
Mas qualquer caminho pode ser delirante
Caindo num buraco profundo com voz de choro
Seguiu o coelho e veja no que deu
Sentiu tanto prazer que atingiu o nirvana
Namorou com o cabeça de rádio
E pensava "ele me ama",
Quis até correr o mundo e chegou num deserto
Pisou em abóboras esmagadas, cavou sua sepultura
Desconfiou que havia um oásis por perto
Desconfiou que vivia uma explosão de culturas
Raimundo lhe mostrou o caminho das águas
Charlie deu a ela um skate
Ela só queria um mundo livre
Ela só queria injetar vida nas células
Ela nunca se esqueceu do conselho do sagaz homem fumaça:
"No final, tudo termina numa geléia de pérolas".


[Rívison Batista]