domingo, 4 de outubro de 2009

Lóri

É preciso viver, Lóri,
Mesmo quando a floresta escura
Se fechar para os seus passos
E pra sua ternura
É preciso viver, Lóri,
Mesmo quando tudo
Parecer sem nexo
Parecer sem sexo
E com gotas de preconceito
É preciso viver, Lóri,
Correr em busca de grande amor
Correr na chuva, molhar a dor,
Ver o ônibus que perdeu
É preciso viver, Lóri,
O carro te atropelou
Você o perdoou
Outro bebê nasceu
É preciso viver, Lóri,
Se lembrar da maternidade
Depois da vida depois da morte
Vem chegando a quarta idade
É preciso viver, Lóri,
Ver a máscara que cai,
Olhar pra frente e olhar pra trás,
Mas não esquecer de olhar o agora.
Ulisses vive, Lóri,
Ele lhe dá uma flor
Ele lhe mostra os pássaros
Mas só você pode permiti-lo dar amor
É preciso viver, Lóri,
Mastigar a maçã e sentir seu sabor
Sentir o sabor e o pulsar da vida
Que é doce e é salgada, mas cheira a manhã.
É preciso viver, Lóri,
Superar, da infância, as dores
Usar um vestido mais leve por causa do calor
Superar, do mundo, os amores.
É preciso viver, Lóri,
Logo você que tem nome de sereia,
Saiu na rua, sem estar de braços dados,
Apenas com seu dinheiro e sua amada inconsciência.
É preciso viver, Lóri,
Se ajoelhar aos pés de quem se ama
Morder e ser a maçã da vida
Acordar cedo com um sorriso na cama
Se permitir curar e ser sua própria ferida.

(Rívison Batista)

4 comentários:

Ludmila disse...

e se eu disser que foi o texto que mais gostei até hj?

Waneessa disse...

caramba! estou lendo exatamente ese livro agora, rs.. mas que reconstrução, Rivison! :) sensacional!

Caleidoscópica disse...

Adorei esta poesia Rivison!

=***

Larissa disse...

Adooooooooooro esse livro. Gostei da letra! :}