sexta-feira, 30 de outubro de 2009

fatos da minha vida: destino ou coincidência?

Há dois tipos de pessoas no mundo: há os que acreditam em uma força chamada destino e os que se dizem avessos à idéia de que nossa liberdade se limita a uma força controladora (vide Neo, The Matrix). Eu, sinceramente, nunca esperei cenas novelescas aparecendo na minha frente e mudando meus rumos. As coisas acontecem, para mim, com a ajuda do sábio compasso da natureza, e nada mais. Porém, um fato me intriga: a coincidência. Era meu último dia em Recife. Depois daquelas 24 horas, estaria em terras alagoanas, com meus pertences e minha família. Estava no cursinho pré-vestibular, que era o mesmo colégio onde eu tinha feito a segunda metade do meu segundo grau (o colégio que fiz a primeira metade faliu na manhã de 11 de setembro de 2001). Enfim, tinha vários amigos no cursinho. Vários amigos mesmo. E todos naquele clima de despedida. Clima este que odeio... Abraços e mais abraços no intervalo das aulas, no pátio cheio de árvores (fazia um dia belíssimo), soou o toque e voltamos à sala para a última aula. Era aula de inglês. O professor, um senhor torcedor do Sport, era incrível. Era daqueles que sabia, e mais do que isso, sabia passar o que sabia. Complicado, não? Porém, antes da aula acabar, levantei, peguei minha mochila e saí da sala. Uns quatro amigos saíram para se despedirem da minha pessoa. O pátio estava vazio, pois era horário de aula. Meus amigos voltaram à sala, enquanto eu dava meus últimos passos no Radier (o colégio onde estudei). Numa atitude meio que involuntária, beijei a palma da minha mão e a encostei na parede do colégio. Ao sair do Radier, olhei aquelas ruas de Recife como um turista se despedindo da própria terra. No outro dia, estaria em Maceió. Cheguei ao ponto de ônibus. Estava com o coração apertado. Avisto o ônibus que vai me levar para casa. Dou o sinal para ele parar; ele abre a porta e eu subo. Passo meu cartão eletrônico, passo pela catraca. O ônibus estava vazio e com o rádio ligado. Quando sentei, o rádio do ônibus começou a tocar "Maceió, Minha Sereia". Uma música que nunca era executada nas rádios de Recife, e justamente naquela hora, naquele momento, ela tocou e me fez escutá-la do início ao fim, em alto e bom som. Minha única reação foi apoiar o cotovelo na janela do ônibus, tapar a boca com a mão, tentar disfarçar meus olhos espantados e tentar conter um sentimento inexplicável.

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