domingo, 9 de agosto de 2009

Cansaço





Quero férias de tudo
De corpo , alma e coração
Quero escrever uma canção no escuro
Mas no escuro não se escreve uma canção
A luz elétrica investiga meus mínimos detalhes
Sempre preocupada com meu bom humor
Ela ilumina minha pele fria
Mas não esquenta nada, não há amor

Qual é o remédio
Pra quem olha tudo ao redor e sente tédio?

Acho que algum médico esqueceu um bisturi
Dentro do meu cérebro
Aos poucos, todos ficamos assim
Acomodados...
Eles acham que devem ser céticos
E outros acham que devem ser religiosos
Eles sempre querem ser donos de alguma verdade
Pra depois ficarem ociosos
No eterno sofá televisivo da terceira idade

Qual é o remédio
Pra quem olha tudo ao redor e sente tédio?

Você gosta de tudo e eu também
De música clássica a Kurt Cobain
De imperfeições a obras perfeitas
Mas meu sorriso parece até alguma imagem de Dali
Na qual você olha direito e ver tristeza

Qual é o remédio
Pra quem olha tudo ao redor e sente tédio?

Estamos sempre nos mudando, quanta insatisfação
Somos eternos nômades da nossa aparência
Estamos sempre nos vendendo, pela liquidação
Eternamente liquidados pela nossa inconsciência.

(Rívison B.) 25/09/2006


Ps. Para os que não se recordam (e para os que se recordam também), toquei essa música há 2 anos atrás, no auditório da biblioteca da Ufal, no 1º festival de Estética. Sim, já tive meu momento rock star.

Um comentário:

Isolda Herculano disse...

“Qual é o remédio pra quem olha tudo ao redor e sente tédio?”. Que dúvida pra lá de universal, hein?! Adoro inquietações como essa; quase sempre são frutíferas para a arte. Como a sua foi para você.

Sua letra é muito forte e real, menino. Gosto das coisas que você escreve, vou dizer novamente. E ser chata, piegas. E passar aqui de novo, quando um novo post vier.

Abraço.
Isolda.