segunda-feira, 20 de abril de 2009

Fatos da minha vida - A Noite – Uma paixão sem sofrimentos

Quando eu tinha, mais ou menos, uns 11 anos de idade, eu adorava deitar, à noite, em uma caixa d’água enorme, feita de cimento, que tinha bem no meio do quintal enorme da minha casa, em Recife, e ficava vendo as estrelas. Passava horas olhando pro céu, vendo as constelações mudarem de lugar. Quando ficava muito tarde, minha mãe abria a porta da cozinha, que dava de frente ao quintal, e dizia: “tá bom de entrar, né?”. E eu olhava tão atentamente aquele céu escuro cheio de pingos dourados que a voz da minha mãe parecia não surtir um efeito de ordem, mas completava o silêncio das estrelas, dava voz a elas. Quando eu olho para trás, eu vejo como aquilo era bonito de se fazer, como a vida valia a pena só por estar ali, vendo algo fantástico e inesgotável (e sem preço). Depois eu entrava, tomava meu banho, ía dormir para acordar cedo para a escola. Eu acordava umas seis da manhã, e ía direto pro quintal, onde os raios de sol se misturavam com o vento frio do amanhecer. De certa maneira, aquelas estrelas, através do silêncio misturado com a voz da minha mãe, e através de um brilho que variava de uma pra outra, souberam injetar a paixão pela noite nas minhas veias, de forma prazerosa, materna e indolor.

2 comentários:

Estêvão dos Anjos disse...

Lembranças gazeeeeeeeeta (8)

Agora falando sério: é foda, qnd a gente se lembra dessas coisas feitas na infância dá a impressao de que não viveu tudo que tinha pra viver...

Paulinha Felix disse...

Essa série tá massa, Riu! Gosto desse saudosismo e da forma como vc está revendo o seu passado.

=D

E foi muito moral o comentário do Tetê!!