sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Sétimo Dia





Sábado ensolarado, trancado no quarto
Pensando em todas as revoluções passadas e nos carnavais
Pensando nas pessoas mal amadas como eu
Pensando nas praias movimentadas e no deserto

dos canaviais

Sábado feliz (lá fora), trancado no quarto
Pensando na minha paralisia mental
Pensando na minha afasia
Procurando minha alegria vendo as roupas secas

no varal...

Sábado globalizado, trancado no quarto
Meus velhos amigos estão rindo por aí
Investiguei eles nas nuvens negras dentro de mim
Nuvens negras que não deixam claro o meu

sábado...

Sábado amigo, sábado sádico, sábado chato...
Sábado fingido, sábado com cara de domingo, sábado inesperado...
Sábado que começa salgado e termina tão doce
Sábado do pôr-do-sol, sábado dos meus velhos amores.

Sábado cínico, sábado cigarro, sábado solitário...
Sábado sétimo dia, sábado sete maravilhas, sábado encantado...
Sábado cansado, sentado, pensando nas minhas dores,
Sábado de manhã, e as dores serão curadas no sábado à noite.


(Rívison)                 06.08.2005

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Epigrama Passional nº 1

João amava Maria
Maria amava João
Até que um dia
Maria lhe partiu o coração
João vagou pelas ruas
João não entendia
João culpou a lua
Mas era o sol que banhava Maria
Maria se sentiu culpada
Mas também se sentiu livre
Alcançou as estrelas mais altas
Mas não se satisfez com nada
Maria então pensou
Que amor não era lá uma prisão
Que se sentir presa era bom
Quando as algemas eram divididas com João
Maria procurou João
Mas João tinha ido embora
Maria comprou uma passagem
E de avião viajou mundo afora
Afônica, estressada
Maria não achou seu querido
Que hoje já voltou pra casa
E é um palhaço triste do circo.

(Rívison)

sábado, 14 de novembro de 2009






Planeta Hipocrisia


Tudo parece acontecer fora do meu tempo
Fora do alcance das minhas mãos
Fora de minhas decisões
Tudo parece acontecer quando eu já não quero
Seus olhos se voltam para mim quando você
Já não pertence mais ao meu coração...
Eles nos dizem para deixar nossos sonhos deitados
Eles nos fazem acreditar que amar é só um verbo romântico
Eles dizem que o destino é algo para ser respeitado
Mas afinal... Eles pensam que estou dormindo, mas estou acordado.
Tudo parece acontecer fora do meu entendimento
Fora do alcance da minha ilusão
Fora do alcance das minhas razões
Tudo parece escapar por entre meus dedos
Amores, dinheiro, tempo, canções
Querem um velho de 20 anos sem emoções...
Eles nos dizem para termos razão, para termos estudo...
Eles nos fazem esquecer que também temos sentimentos...
Eles nos fazem entender que é bom ter orgulho...
Eles nos fazem entender que o amor não é nada diante do fedor do dinheiro...
Tudo parece acontecer fora do meu tempo
Fora do alcance das minhas razões
Fora de minhas emoções
Tudo parece acontecer ao mesmo tempo
E já são tantas situações
Que escolho todas e já nem sei quem sou eu mesmo
Eles nos fazem dizer “ame ao próximo como a si mesmo”
Eles nos fazem entender depois que isso é só teoria...
Eles nos enchem de raiva por causas estúpidas e perdemos o respeito
Eles me fizeram entender que eu vivo no planeta hipocrisia.


Rívison - 2006

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

fatos da minha vida: destino ou coincidência?

Há dois tipos de pessoas no mundo: há os que acreditam em uma força chamada destino e os que se dizem avessos à idéia de que nossa liberdade se limita a uma força controladora (vide Neo, The Matrix). Eu, sinceramente, nunca esperei cenas novelescas aparecendo na minha frente e mudando meus rumos. As coisas acontecem, para mim, com a ajuda do sábio compasso da natureza, e nada mais. Porém, um fato me intriga: a coincidência. Era meu último dia em Recife. Depois daquelas 24 horas, estaria em terras alagoanas, com meus pertences e minha família. Estava no cursinho pré-vestibular, que era o mesmo colégio onde eu tinha feito a segunda metade do meu segundo grau (o colégio que fiz a primeira metade faliu na manhã de 11 de setembro de 2001). Enfim, tinha vários amigos no cursinho. Vários amigos mesmo. E todos naquele clima de despedida. Clima este que odeio... Abraços e mais abraços no intervalo das aulas, no pátio cheio de árvores (fazia um dia belíssimo), soou o toque e voltamos à sala para a última aula. Era aula de inglês. O professor, um senhor torcedor do Sport, era incrível. Era daqueles que sabia, e mais do que isso, sabia passar o que sabia. Complicado, não? Porém, antes da aula acabar, levantei, peguei minha mochila e saí da sala. Uns quatro amigos saíram para se despedirem da minha pessoa. O pátio estava vazio, pois era horário de aula. Meus amigos voltaram à sala, enquanto eu dava meus últimos passos no Radier (o colégio onde estudei). Numa atitude meio que involuntária, beijei a palma da minha mão e a encostei na parede do colégio. Ao sair do Radier, olhei aquelas ruas de Recife como um turista se despedindo da própria terra. No outro dia, estaria em Maceió. Cheguei ao ponto de ônibus. Estava com o coração apertado. Avisto o ônibus que vai me levar para casa. Dou o sinal para ele parar; ele abre a porta e eu subo. Passo meu cartão eletrônico, passo pela catraca. O ônibus estava vazio e com o rádio ligado. Quando sentei, o rádio do ônibus começou a tocar "Maceió, Minha Sereia". Uma música que nunca era executada nas rádios de Recife, e justamente naquela hora, naquele momento, ela tocou e me fez escutá-la do início ao fim, em alto e bom som. Minha única reação foi apoiar o cotovelo na janela do ônibus, tapar a boca com a mão, tentar disfarçar meus olhos espantados e tentar conter um sentimento inexplicável.

domingo, 25 de outubro de 2009

Estrela em Construção






O amor é uma estrela em construção
Dentro de um cinema sem ninguém e sem filme
Com um ar-condicionado no máximo, congelando o vazio
Como o brilho primário de um artista no início da carreira
O amor, para uns, é uma forma de ilusão
É a maré passageira, é um tipo de brinde
É o vento polar passando por engano no Brasil
A beleza de um pássaro no início da primavera
Mas o amor é a mão salvadora
Que puxa a tampa da minha pia
E deixa escorrer toda água podre
Que lá havia.
O amor é o impacto de um caminhão
É forte, imponente, onipotente, às vezes
Uma guerra que não se vence e nem se sabe
Se ela realmente existe ou se é uma miragem
Não é sentimento, nem pensamento
É apenas uma estrela em construção
Esperando seu acabamento
É um espelho turvo que distorce a imagem.
Mas o amor é a mão salvadora
Que puxa a tampa da minha pia
E deixa escorrer toda água podre
Que lá havia.
Eu estou limpo, você também
Não precisamos mais dessa água sanitária
Meu bem, eu misturo você com minha raiva
O amor me deu a setença final, quando disse
Que as feridas são belas, porque sem elas a vida não sara.

(Rívison)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

tempo





honrados sejam os bem feitores da minha alegria
são pálidos e sempre estão com fome de simpatia

honrado seja o tempo
mas o tempo é ilusão
o relógio é entretenimento
um minuto é diversão

um ano para achar que somos capazes
um século de solidão
uma hora de prova de matemática
um segundo para uma decisão.

uma década para lembrar os heróis
cinco anos de extrema exaustão
um milênio para impérios que se destroem
um milésimo entre a morte e o bater do coração.


Rívison

domingo, 4 de outubro de 2009

Lóri

É preciso viver, Lóri,
Mesmo quando a floresta escura
Se fechar para os seus passos
E pra sua ternura
É preciso viver, Lóri,
Mesmo quando tudo
Parecer sem nexo
Parecer sem sexo
E com gotas de preconceito
É preciso viver, Lóri,
Correr em busca de grande amor
Correr na chuva, molhar a dor,
Ver o ônibus que perdeu
É preciso viver, Lóri,
O carro te atropelou
Você o perdoou
Outro bebê nasceu
É preciso viver, Lóri,
Se lembrar da maternidade
Depois da vida depois da morte
Vem chegando a quarta idade
É preciso viver, Lóri,
Ver a máscara que cai,
Olhar pra frente e olhar pra trás,
Mas não esquecer de olhar o agora.
Ulisses vive, Lóri,
Ele lhe dá uma flor
Ele lhe mostra os pássaros
Mas só você pode permiti-lo dar amor
É preciso viver, Lóri,
Mastigar a maçã e sentir seu sabor
Sentir o sabor e o pulsar da vida
Que é doce e é salgada, mas cheira a manhã.
É preciso viver, Lóri,
Superar, da infância, as dores
Usar um vestido mais leve por causa do calor
Superar, do mundo, os amores.
É preciso viver, Lóri,
Logo você que tem nome de sereia,
Saiu na rua, sem estar de braços dados,
Apenas com seu dinheiro e sua amada inconsciência.
É preciso viver, Lóri,
Se ajoelhar aos pés de quem se ama
Morder e ser a maçã da vida
Acordar cedo com um sorriso na cama
Se permitir curar e ser sua própria ferida.

(Rívison Batista)

sábado, 26 de setembro de 2009

Podre (Os Humanóides do Novo Milênio)



Não preciso de homens me dizendo o que fazer
Não preciso nem de mim, nem de você,
Não preciso mais da minha consciência,
Que sempre me chama de perdido, chato, inconseqüente,
Pura demência;
Não preciso de uma mulher na cozinha provando os seus temperos,
Preciso de uma mulher que seja alma e corpo inteiro
Não quero ver minha felicidade procurando o caminho de volta pra mim
Não quero ver o ocidente contra o oriente,
Razão versus emoção.
E quando eu me olhar no espelho,
Que se mostrem minhas lágrimas ocultas e de alegria
E que no meu cérebro não tenha notícias ruins do novo milênio, que se inicia;
E quando eu me olhar no espelho,
Que eu não me veja nem branco, nem índio, nem preto,
Que eu sinta o universo inteiro dentro de mim
E veja que pertenço a algo maior do que a mim mesmo.
Quando o homem deixar de ser podre
As pessoas vão sorrir para as outras
Pois o preconceito vai acabar...
Quando o homem deixar de ser podre
O carro importado vai explodir e a mansão desmoronar
E ninguém vai ficar triste com o dinheiro perdido.
Quando o homem deixar de ser podre,
Todos vão se beijar e se abraçar
Aquele que mata em nome de Cristo, aquele que mata em nome de Alá.
Tudo isso quando o homem deixar de ser podre
Podre de espírito...

( Rívison Batista)  11/08/2006

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

a vida segue



Ela não quer você
A lava destruiu a cidade
O avião atrasou
O mendigo morre de fome
A vida segue.
A empresa faliu
A igreja também
Pessoas preconceituosas
Doenças fatais
A vida segue.
Educação é o segredo
Ninguém gosta de distribuir segredos
Borboletas são atropeladas
Em um espaço aéreo onde humanos têm asas.
A vida segue.
Selvagens criticam os civilizados
Civilizados se matam
A medicina lucra com a gripe
Alguém não se esquece.
A vida segue.
Elefantes e cavalos são escravos
Pessoas já foram escravizadas
Vacas são adoradas ou comidas
Seu leite mata a sede.
A vida segue.
Ela foi para longe
Cruzou um globo cheio de armadilhas
Meu coração caiu na armadilha de gostar
Olhos azuis como a Terra vista de cima
A vida segue.
Metralhadoras substituem palavras
A força substitui o pensamento
A população agora está domada
Democracia, o que é isso?
A vida segue.
Amor, o que é isso?
A vida segue.
O homem-bomba explodiu
A vida segue.
O presidente bomba manda explodir
A vida segue.
Amor, onde você está?
A vida segue.


Rívison 03/02/2007

domingo, 9 de agosto de 2009

Cansaço





Quero férias de tudo
De corpo , alma e coração
Quero escrever uma canção no escuro
Mas no escuro não se escreve uma canção
A luz elétrica investiga meus mínimos detalhes
Sempre preocupada com meu bom humor
Ela ilumina minha pele fria
Mas não esquenta nada, não há amor

Qual é o remédio
Pra quem olha tudo ao redor e sente tédio?

Acho que algum médico esqueceu um bisturi
Dentro do meu cérebro
Aos poucos, todos ficamos assim
Acomodados...
Eles acham que devem ser céticos
E outros acham que devem ser religiosos
Eles sempre querem ser donos de alguma verdade
Pra depois ficarem ociosos
No eterno sofá televisivo da terceira idade

Qual é o remédio
Pra quem olha tudo ao redor e sente tédio?

Você gosta de tudo e eu também
De música clássica a Kurt Cobain
De imperfeições a obras perfeitas
Mas meu sorriso parece até alguma imagem de Dali
Na qual você olha direito e ver tristeza

Qual é o remédio
Pra quem olha tudo ao redor e sente tédio?

Estamos sempre nos mudando, quanta insatisfação
Somos eternos nômades da nossa aparência
Estamos sempre nos vendendo, pela liquidação
Eternamente liquidados pela nossa inconsciência.

(Rívison B.) 25/09/2006


Ps. Para os que não se recordam (e para os que se recordam também), toquei essa música há 2 anos atrás, no auditório da biblioteca da Ufal, no 1º festival de Estética. Sim, já tive meu momento rock star.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A menina de jornalismo

Todos os caras são loucos
Por aquela menina que faz medicina
Mas eles até trocam o curso
Na verdade ela faz fisioterapia
Ela andando é quase uma propaganda
Nunca vi tão publicitária
Mexe também com design
Quando sorri denuncia: é odontologia
Do meu lado senta uma menina
Tão dedicada e sempre baixo astral
A cara é séria pra fingir inteligência
Na verdade ela faz comunicação social

Todos os caras são loucos
Por aquela morena que faz enfermagem
Mas até cor da pele eles trocam
É uma branquinha, e faz bioquímica
Ela andando é pura sacanagem
Viajo tanto que só pode ser geógrafa
Olha de lado e sabe que chama atenção
Roupa sempre original, talvez faça moda
Na minha sala tem uma menina
Que o olhar é sombrio e o andar desastrado
Mas mesmo assim ela é tão legal
Na verdade ela faz comunicação social

Com habilitação em jornalismo
Meu deus, eu juro que nunca vi tanto cinismo (numa pessoa só)
Sabe lutar pelo o que é dela
É tão cdf e não perde uma rave
É minha internet, é sempre tão atualizada
Ela é todos os cursos e todas as farras.


Rívison Batista 30/11/2008


Obs: Pessoas, nunca gostei de divulgar meu blog. Não tenho paciência para ficar o atualizando e isso torna o processo de divulgar uma operação arriscada... Mas, em breve, planejo atualizar semanalmente e estou pesquisando recursos para disponibilizar o áudio dessas canções aqui. Ou seja, vocês poderão ouvir também. Enquanto isso, sigo postando apenas as letras. Um abraço.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Quase perfeitos

Espero que eu tenha a achado interessante
Espero que ela tenha me achado também
Espero que faça o pôr do sol mais bonito do ano
Espero que chova para lavar nossos pecados
Espero que a lua brilhe mais do que os faróis dos carros
Espero que todos os olhos apreciem a grandeza do céu
Espero que tudo que falarmos seja inesquecível
Espero fazer do mar minha rua

E assim, qual será a verdade tua?
Qual será a sua parte que a vida me reserva?
Será que eu só serei mais uma estrela apagada no seu céu nublado...
Ou serei seu anjo que a protege na Terra?

Espero que ela não seja tão inconstante
Espero que ela ria de piadas sem graça
Espero que ela não me decepcione
Espero que ela não seja uma farsa...
Espero que ela goste de rock, mpb e punk
Espero que ela ache bom Caetano e Ramones
Espero que ela não seja infantil
E que seu sorriso não seja uma máscara...

E assim, qual será a verdade tua?
Qual será a sua parte que a vida me reserva?
Será que eu só serei mais uma estrela apagada no seu céu nublado...
Ou serei seu anjo que a protege na Terra?

Espero que ela seja revoltada com 64...
Espero que eu tenha a achado
Espero que ela tenha me achado também
Numa guerra há muito tempo, fomos separados
Espero que amanhã o sol nasça para alguém
Espero que hoje juntemos nossos pedaços...


(Rívison Batista)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Fatos da minha vida - A Noite – Uma paixão sem sofrimentos

Quando eu tinha, mais ou menos, uns 11 anos de idade, eu adorava deitar, à noite, em uma caixa d’água enorme, feita de cimento, que tinha bem no meio do quintal enorme da minha casa, em Recife, e ficava vendo as estrelas. Passava horas olhando pro céu, vendo as constelações mudarem de lugar. Quando ficava muito tarde, minha mãe abria a porta da cozinha, que dava de frente ao quintal, e dizia: “tá bom de entrar, né?”. E eu olhava tão atentamente aquele céu escuro cheio de pingos dourados que a voz da minha mãe parecia não surtir um efeito de ordem, mas completava o silêncio das estrelas, dava voz a elas. Quando eu olho para trás, eu vejo como aquilo era bonito de se fazer, como a vida valia a pena só por estar ali, vendo algo fantástico e inesgotável (e sem preço). Depois eu entrava, tomava meu banho, ía dormir para acordar cedo para a escola. Eu acordava umas seis da manhã, e ía direto pro quintal, onde os raios de sol se misturavam com o vento frio do amanhecer. De certa maneira, aquelas estrelas, através do silêncio misturado com a voz da minha mãe, e através de um brilho que variava de uma pra outra, souberam injetar a paixão pela noite nas minhas veias, de forma prazerosa, materna e indolor.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Fatos da minha vida - DEUS

Quando eu era pequeno, bem pequeno mesmo, perguntava para as pessoas onde estava Deus. Elas sempre apontavam para cima. Naquela época, isso me fez acreditar que Deus estava no telhado da minha casa. Então, ía para o quintal (onde tinha uma visão completa do teto da casa) e observava cada detalhe do telhado. Não havia nada. Mas eu tornava a perguntar, e as pessoas teimavam em apontar para cima. Com tanta insistência delas, pensei então que Deus estava embaixo do telhado, dentro da construção. Eu não via, mas acreditava, era um simbolismo perfeito. Em uma manhã, parte do teto do quarto onde eu dormia desabou. Foi a parte oposta onde eu estava. Era minha chance de procurar Deus! Estava tudo à vista naquela imensa abertura no teto do meu quarto: telhas, tijolos, madeira, mas nada se movia. De repente, ouvi os passos apressados da minha mãe. Eu sabia que ela ía me pegar nos braços e me tirar dali. Então, dei mais ênfase à minha busca por Deus; mas olhava, olhava, e a única coisa que se mexia no meio daquele vazio no teto e dos escombros no chão era a poeira. Vejo minha mãe assustada na porta do quarto. Ela vem até mim, me pega nos braços e diz: "Graças a Deus que você está bem".

domingo, 12 de abril de 2009

Eu Acredito



Eu tenho o cheiro de rosas nas mãos
E um olhar tristonho pro chão
Eu tenho um coração que quase pára
Minha vida nesse silêncio torna-se rara

Eu sinto calor, mas não procuro ar fresco
Apenas me refresco com possibilidades
Minha vida, sem rumo, dá até medo
Queria que alguém aparecesse e me mostrasse a verdade

O violão na capa é mudo e preto
E tem uma corda partida, há um ano
Símbolo da minha adolescência incerta
Hoje, ele descansa ouvindo a música dos anjos

E eu ainda tenho o cheiro de rosas nas mãos
Porque ainda acredito no amor mesmo sem demonstrar
Meu sorriso falso é um disfarce pra dor
Que esse vazio causa e por muito tempo causará.

Mas eu ainda acredito no amor
E que alguém se mudará para mim
Mas não é preciso mudar
Só é preciso que essa verdade não tenha fim.

13/11/2008 Rívison Batista

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Verdade Absoluta




Existe uma verdade absoluta
A que o tempo passa, e passa sem esperar
Se você apenas assistir ele passar e não tomar uma atitude
Um dia estará sentado na sua cadeira de balanço, sozinho
Segurando um copo com água.

Existe uma verdade absoluta
A que você envelhece, e envelhece por dentro também
Se você apenas cuidar da imagem por fora
Um dia você vai parecer que tem uma pele de alguém de 15 anos
Mas vai ter a mente de alguém que viveu 100 anos em uma caverna.

Existe uma verdade absoluta
Um dia, as pessoas que você ama vão partir
Se você apenas cuidar da sua vida profissional
Um dia você vai perceber que esqueceu de dar amor
E se tivesse dado, as pessoas que você ama estariam bem vivas dentro de você.

Existe uma verdade absoluta
Você nasceu e você vai morrer
Se você perceber que tudo é possível até o último dia
Você vai voar, amar, nadar, e fazer coisas improváveis
E quando respirar pela última vez vai sorrir porque venceu a morte.

Existe uma verdade absoluta
Tudo ao seu redor é mentira
Os prédios, a propaganda da cerveja, carros e dinheiro
Se você notar que a única coisa verdadeira é o ato de coragem de quem te ama
Você vai enxergar a verdade, a primeira verdade absoluta:
É na simplicidade de um olhar que se esconde a felicidade.


(Rívison Batista) 13/09/2007

As Árvores da Rua da Minha Infância



Todo o dia eu digo que vou ler alguma coisa
Depois o dia passa na maior monotonia
A cada hora , eu concentro minha força
Querem que eu seja um soldado em treinamento, quem diria...
Às vezes o silêncio me faz bem
Às vezes o som dos sorrisos me faz mal
Às vezes quero ter alguém
Às vezes quero algo artificial.
Saudades das árvores daquela rua
A antipatia é gerada por sua amável presença
Ela quer, eu sei, mas ela não se insinua
A religião dela é o amor, mas não sei se isso é sua crença.
Meus sonhos voaram tão alto quanto aquelas pipas
A vida era tão doce quanto aquelas frutas
A música não importava e nem se eu sabia
Tocar um instrumento, gostava só do som da chuva.
E todo dia eu tento ler alguma coisa
Que me faça expandir o universo
Que faça meu olhar sobre o mundo
Ser bem menos complexo...
Ela quer, eu sei que ela quer, mas ela não se insinua
Ela continua sentindo falta dos beijos
Dos abraços e dos canivetes
Que fizeram ela cortar ao meio o meu desejo,
E meu corpo ficou um lugar onde a paz perece.
A religião dela é o amor,
Saudades das árvores daquela rua
Essa garota me faz sentir tanta dor
A felicidade é quente, mas a realidade é tão crua.
Saudades das árvores daquela rua
Por onde eu via o sol nascer
E o sol se por
Saudades da rua da minha infância
Onde tudo que eu queria era só imaginar
E eu podia ter o que eu quisesse a qualquer hora
Como uma criança que sonha escutando
Como uma criança que escuta sonhando
Uma eterna música de ninar.


Rívison Batista 18/09/06

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Inseguro Coração



Quando tudo parece tão mecanizado
Que você chega a pensar: a vida é um atraso.
Correndo contra o vento, perdido em pensamentos
Você não deve acreditar em tudo que eu falo.
O rosto está tão seco que a lágrima evapora
O sorriso e o choro se encontraram ao mesmo tempo
Me diga o que fazer quando tudo só piora
Fugindo das armadilhas de um mundo tão sedento.
Mas no que acreditar?
Quando os labirintos têm vontade própria e fazem você não se achar?
Não, não, não
Não se aproveite de mim
Não, não, não
Não se aproveite de mim
Não, não, não
Não se aproveite de mim
Não conceda desrepeito
A quem sempre te tratou
Com consideração e respeito
A quem sempre guardou no peito seu tão inseguro coração...
Quando tudo parece tão celestial
Eu sinto o cheiro do enxofre subindo no chão
A vida é assim mesmo, faz você se sentir mal
Mas desse paradoxo surge uma canção.
O rosto está suado e a lágrima demora
Pra cair no fim do mundo, pra chorar no fim da história.
Seguindo esquadrilhas de aviões pelo escuro
Contando no céu as estrelas da nossa discórdia.
Mas no que se apoiar?
Quando os alicerces têm vontade própria e fazem você tombar?
Não, não, não
Não se aproveite de mim
Não, não, não
Não se aproveite de mim
Não, não, não
Não se aproveite de mim
Não conceda desrespeito
A quem sempre te tratou
Com consideração e respeito
A quem sempre guardou no peito seu tão inseguro coração...

(Rívison Batista)   -  2006

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Haunebu



Tão fácil ver de longe, mais fácil ver de perto
A velocidade é grande quando tudo é imprevisível
Seus olhos brilharam e eu te dei uma flor
Livros queimados, antigos resíduos de poeira.
Coração bate fraco, a vida ameaça ir
Depois dos macacos, o homem vive que nem um robô
Atentados são necessários quando a gente vai dormir
Depois dos macacos, ninguém sabe o que é amor.

Aquela "coisa" voa muito rápido
Aquela "coisa" no formato de um prato
30 metros de comprimento
E quanto mistério quando se desloca.

Eu pensei ter esquentado nossa relação
Debaixo da terra é fácil ver que sou um tolo
Mas tenho meus contatos na agenda telefônica
Tudo é premeditado antes que a chuva venha
Espere a previsão do tempo antes de sair
Queimei minha pele na panela do almoço
Eles são tão diferentes e querem se divertir
Talvez eles não tenham carne e não tenham osso.

Aquela "coisa" voa muito rápido
Aquela "coisa" no formato de um prato
30 metros de comprimento
E quanto mistério quando se desloca.

Meu medo se aflora quando eu penso em outra época
Um coração nasce de novo promovendo um novo ápice
Sintomas de febre e misturados com outra doença
Delírios de quem morre e foge para longe.


Rívison Batista - 16/12/2007