quinta-feira, 12 de junho de 2008

Onde dormem as âncoras

Meus olhos cansados não esperam nada de genial
Minha boca seca já não tem esperança de encontrar água nesse deserto.
Os costumes evoluem e viram tradições,
Eu não os acompanho e fico tão desatinado
As máquinas evoluem e substituem os corações,
Eu acho que nasci no lugar errado.
Meus olhos cansados encontraram você
Nesse inverno, nesse frio, e a minha boca,
Bebe em você a esperança de dias melhores

Quem diria que, de semanas tão mortas
Algo surgisse em forma de carne, alma e força
Algo que deu o combustível certo a sentimentos velozes.

Meus olhos cansados enxergam tudo tão mal
Rabiscos perdidos no quadro da vida
Distorção magnética da minha polaridade
Minha cabeça revirou-se como alguém que contempla, ao meio-dia, a cidade natal
Quando tudo já era sem cheiro, os rabiscos da minha miopia
Exalaram um perfume irreconhecível, antropofagia de mim mesmo
É cedo, te conheci ontem, mas já te conheço faz tempo
Parece que tem alguém se tornando meu veneno vital
E eu que não queria ser envenenado agora
Mordida de cobra
Não, pior, estado de encantamento.

(Rívison) 28/04/2007 02:53 am

2 comentários:

Estêvão dos Anjos disse...

essa porra acabou foi?

kassianobre disse...

"Quando tudo já era sem cheiro, os rabiscos da minha miopia
Exalaram um perfume irreconhecível, antropofagia de mim mesmo"

gostei muito.