sábado, 19 de abril de 2008

Oito Anos

Adeus, e a gente se vira depois
Pra arrumar outro pedaço de lar
Concreto e tão sujo sou eu
Adeus, e a gente se vira depois
Peguei na sua blusa
Peguei um comprimido
Acendi um cigarro
Sim, baby, agora eu sou viciado.
Talvez, você não compreenda
Eu também não faço muita questão
Apenas traga o vinho daquele cálice
Apenas traga as manhãs da minha infância
Tudo isso em forma de prazer, carnal ou não
Lembranças.
Colei um adesivo
Toquei o violão
Acendi minha raiva
Sim, baby, agora eu sou irritado.
Talvez, você não me conheça
Eu também não faço muita questão
Apenas esbarre seu ombro no meu
Apenas entre em contato comigo
Tudo isso em forma de segundos contados
Em algum dia dos meus oito anos
Transformados em estudo e trabalho.
Sim, baby, agora eu sou dependente.
E você me pergunta de que
Eu sou dependente do cheiro
Do som, da luz e das mãos da minha mãe me acordando.
Naquelas manhãs dos meus oito anos
Quando eu não queria perder um desenho.
Sim, baby, agora eu sou viciado.


(Rívison Batista) 16/04/2008

domingo, 13 de abril de 2008

Epigrama Passional nº 2

Tem horas que ficamos sedados

A anestesia fez efeito e quem diria
O sono chegou como uma ex-namorada
Iludindo com seus sentimentos de mentira
Lá vem o dia, e ele vem com a força de uma máquina
Arrasta tudo, embaixo e em cima
Nosso rosto matinal é uma lágrima
Que cai dos olhos da nossa desunião.
Coração fingido, tão solitário
Coração que não gosta de mim
Ele bombeia meu sangue e como salário
Eu lhe dou uma emoção inacabada.
Tem horas que vemos o que não existe
E o que existe, deixamos de ver
Demora pra cair a gota da realidade
Impulsionada por dor, lamento, alegria e vontade
Mas o teatro ao ar livre tem um novo espetáculo
Saltadores mortais com movimentos errados.

(Rívison Batista) 17/09/2007


A inocência do sol

Vi uma atriz de olhos verdes
Minto, verdes eram as lentes
Ela tinha olhos castanhos
Como o entardecer em um campo ameno.
O sol, todo dia, desvia-se dos nossos tiros
E da nossa arrogância, e, quem diria,
É visto lá em cima, na máxima potência
E, com toda inocência, mostra sua exuberância.
Eu não quero ser mais nada na vida
Só quero que você seja minha atriz
E que seja banhada pela inocência do sol
Ao meu lado.
Eu poderia falsificar e ganhar milhões
Eu poderia me matar de trabalhar
Ações e testamentos, subir até ninguém me alcançar
Mas que bobagem, a minha ambição é você.
Dançar em qualquer palco, em um beco escuro
Ou para uma platéia de fidalgos
Eu não sei dançar, mas ainda assim
Nós bailamos nesse último tango ou samba ou valsa.

É bem verdade que você surgiu por acaso
Como surge a árvore em uma floresta, deixando a saudade
Aos que viam aquele lugar vazio
E agora é ocupado por vida, e a nossa é tudo que nos resta.

(Rívison Batista) 25/03/2007 03:16 am