quarta-feira, 27 de novembro de 2013

deuses mortais (idosos)

se não fosse o vento que passa
sorrateiro por debaixo da porta
se não fosse o tempo que passa
devagar, por entre as rugas
por entre os dedos e os lábios
se não fosse o golpe fatal e rápido
que a vida dá ao longo do tempo
se não fossem nossas angústias
escondidas com a maquiagem do sereno da chuva
se não fosse tudo isso as coisas ficariam
mas nunca que seria a mesma coisa
porque não se pode querer um dia quente e um dia frio
numa mesma hora e numa mesma pessoa
se não fosse tudo isso as coisas não teriam fim
e o vento seria o mesmo que passa e volta
mas qual a graça que teria viver assim
sem a emoção do novo vento que surge com forças novas
Idolatremos então a sabedoria dos idosos
Porque a eternidade não foi feita para nós
Seria tudo muito complicado; a vida já nos dá tempo
Para pensar no que gera frutos e nunca nos sentirmos sós.
se fôssemos nós dentro dos carros que dirigimos
dentro do avião que viajamos, dentro do trem que corta o dia
dentro do disco voador visto por poucos
mas não somos nós, são projeções da nossa alegria
e encarar tudo isso é uma prova de equilíbrio
porque você envelhece e as coisas mudam por isso
ou será que se envelhece por que as coisas mudam?

a resposta será sempre indefinida.
nossa dor, com o passar do tempo, não adormece
e a evolução da dor em um idoso deveria ser a libido
mas isso não acontece, porque se não fosse o golpe fatal
estaríamos vivos e tristes, inteligentes e esquecidos.

Rívison  03/11/2013

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Pequena Flor

Te amo não só pelos teus olhos
Que são como o mais forte luar ao anoitecer
Te amo não só pelo desenho dos seus lábios
Fonte de sabedoria e prazer
Cada palavra que sai da sua boca entrou nos meus sonhos
E me fez ver que estava tão vazio sem você,
Te amo não só pelo teu jeito
De menina inocente e mulher já crescida
Te amo não só pelo teu beijo
Que é capaz de curar as feridas da vida
Te amo quando seu sorriso se desvencilha
E transforma você no desejo que eu quero
Pra mim,
Reguei esse jardim da minha alma, e nasceu uma flor
Tão meiga e perfumada, no começo tive até medo
Receio de dar um cheiro e ficar para sempre nos seus encantos
Mas estando com você, eu sinto que o amor veio,
Reguei com a água da esperança essa flor
E não demorou muito para ela gostar
Nas curvas do corpo dela me encontrei e me perdi
Admirável sinceridade que até me tira o ar
Talvez um dia não seja a mesma coisa, mas e daí
Alcancei a felicidade mais bonita porque ela
É tudo que eu quero
Pra mim,
Amo você por tanta sabedoria, pequena flor
Confio meu coração a você, porque conheço teus espinhos
Confio minhas confidências a você, porque sabe me dar carinho
E o seu abraço cura a dor que encontrei no caminho, pequena flor
E sua proximidade é mais vital que a gravidade que me mantém no chão
Por favor, não esqueça esse coração,
Porque, pequena flor, te querer é tudo que quero
Pra mim.


10/11/2013 - 4h30 a.m.   Rívison

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O nome que falta

Há algo que não nos ensinaram nos livros de história e matemática
E que nos faz entender que o amor que pregamos é vazio e tão tola nossa ética,
O nosso 'amor ao próximo', que tanto falamos, não é amor na prática
Porque, se fosse, não desviaríamos o olhar onde o preconceito se manifesta
Há algo que não tem nome,
E a ausência disso faz da vida uma sátira
Uma peça de teatro que sempre termina em festa
Com todos bem felizes segurando suas máscaras
Sorrisos fabricados com precisão milimétrica,
Há algo sem nome
E essa ausência é sentida no calor da África
Também no gelo europeu e nas selvas da América,
Tantos descobridores tentaram nomear a palavra mágica
Que talvez a língua dos anjos pronuncie da maneira mais correta
É o nome que falta, é algo sem nome
E quando isso for nomeado
Acabará com a miséria e a fome,
Pois é o que falta no vocabulário dos corações que não sentem e apenas consomem,
Há uma coisa que não pode ser dita
E todos os santos já tentaram pronunciar isso com ímpeto
E todos os empresários estão carentes e cheios de dívidas
Os anos passam e nos faltam sensibilidade e senso crítico
Para entendermos que pouco a pouco estamos virando máquinas,
Enquanto almoçamos vemos mais um homicídio
Nossa fome de miséria parece que não acaba
Pedimos mudanças com cartazes coloridos e um jeito tão cínico
Que a única mudança que se segue é a queda da nossa própria farsa
Há algo sem nome, mas com muito significado
E quando falarem alto o nome desse sentimento, as guerras ficarão no passado
E todos verão que o sistema econômico foi um grande equívoco
E todos verão que a troca mais importante não é o trabalho pelo dinheiro
E sim o corpo pelo espírito,
Há um nome que falta, há algo sem nome
E quando isso for nomeado
Mudará o pensamento dos homens
Pois será a chave para os que teimam em ter no peito ouro em forma de cadeado.

 

Rívison 23/10/2013

domingo, 18 de agosto de 2013

Sentimento Inacabado

Eu espero sentado o dia em que um sentimento parecer sensato
A lógica disso é que um coração se despedaça fácil
E uma mente que nem era tão maliciosa, se encarcera
Dentro de uma imagem criada por pensamentos falsos;
Muitas vezes, a certeza de um crime cria a mais terrível fera
Mas para crimes silenciosos, não há testemunhas e nem fatos
A dúvida de um momento não compensa o prazer de vivê-lo
Crimes silenciosos são cometidos dentro de qualquer quarto
Ria das estrelas porque estão longe, mas respeite o fogo de uma vela
Uma pequena chama vira um incêndio em poucos instantes
E quando você perceber que o laço virou nó, não terá mais tato
Nem olfato, nem visão ou paladar; terá apenas a cegueira que causa um retrato;
Eu espero dormindo a noite de sonhos mais lúcidos
Uma noite que não passe em um simples piscar de olhos
Alguma anunciação sonífera que faça entender todo prenúncio
Alguma paixão que nos some e nos faça entender como somos falhos;
Decisões difíceis não acontecem em dias, mas em segundos, talvez menos
Deixar o que se foi para trás fortalece os nervos como um exercício diário
Domar a fera que todos temos em si enaltece uma paciência que é virtude de poucos
Se entregar a algo incerto nos faz ver como é magnético um sentimento inacabado.


Rívison 19/08/2013

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O Desejo

Os dias passam rápidos
E eu vejo a mesmice no fim de mais um dia
Eu vejo a minha morte entrando nos obituários
Eu vejo que o dia não valeu à pena
Eu vejo a face escura da monotonia.
Os dias passam secos
E perceba que eu não moro no semiárido
Perceba que estão aqui os meus desejos
Intocáveis, como minha libido
Intocáveis, como os meus maiores medos.
Os dias passam frios
Matem algo e me façam um casaco de pele
Esquente o chá no final da tarde
Aprecie a chuva que cai charmosa e sem moderação
Aprecie a máquina humana antes que ela enferruje e quebre.
Os dias passam rápidos, secos e frios
Os dias passam sem sentido e sem sentimentos
O sol e a lua brigam pelo meu olhar
E o que eu desejo é que os dias passem mais lentos.


 Rívison 14/01/2012

sábado, 24 de novembro de 2012

Maniqueísmo








Sua ida não me estimulou, aos pés de alguma estrela, eu deito e te espero
Nome doce feito o ar, feito o cheiro de mel viajando numa tarde ensolarada
Onde as crianças brincam, correm na rua que não é asfaltada
E riem, como se a pureza do mundo, fosse ali, com os seus pais vendo tudo.
Um domingo chuvoso me pegou de surpresa
Mas a melancolia de um dia chuvoso
É a alegria de um coração, que tem na sua mesa
Um presente tão bonito, e um passado tão orgulhoso.
Pois bem, eu continuo dizendo que não gostei de quando você partiu
Eu quis ser maniqueísta e atribuir a culpa ao bem ou ao mal
Como um passista que descobre que não precisa se esconder na fantasia
Mas que ainda não sabe sorrir quando vai embora o carnaval...
Inverno chato esse
O corpo esfria tanto e esfria mais ainda os
Meus segredos mais tropicais
Estação de trem de gelo que descongela as feridas.
O sol não me estimulou, eu quis me perder dentro de seus canaviais
Quis abrir um guarda-chuva pra me proteger
De quê? Não sei direito
Talvez da chuva ou de seus medos banais.
A chuva não me conquistou, e eu quis viajar para além de seus olhos
Sinto que você vai fazer isso primeiro
Por quê? Não sei direito
Talvez por causa da vida, que a cada dia viaja com sol e chuva
E nos faz ver o quanto somos santos e, ao mesmo tempo, infernais.




Rívison                     21/04/2007      03:40 am

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Poema de um insone online no Facebook



Precisamos reerguer os nossos passos,
Encontrar os caminhos, por vezes, disfarçados
Iluminar a nossa própria luz quando enfraquece
Precisamos sentir os pés descalços...
Nossa própria luz, às vezes, se esquece
Que possui um gerador acoplado e frágil
Acoplado a todos que nos cercam
E frágil, pois sozinha não brilha forte;
E por mais que façamos força para entender esse universo ágil
Onde tudo gira e as lembranças nos refazem
Precisamos entender que tudo vai embora muito rápido
E o que fica na memória são apenas os destaques.
Precisamos entender que o sol não adormece
E que nós adormecemos em cada despedida
Em cada desilusão, em cada difícil momento
Fechamos os olhos e damos as mãos para a própria partida,
Que parte tomando forma no corpo e em pensamento
Por não saber como fica tatuado de forma errada um adeus
E por já saber que o minuto de agora não é o minuto que vivemos
Abençoado seja o tempo, e breve seja a ferida.
E que fique registrado o paradoxo humano:
Que breve seja a razão, mas que sejam eternos os sentimentos.


Rivi.